Os EUA e a UE estão a negociar o TTIP com o objectivo de promover o comércio, eliminando as diferenças em termos de regulamentação comercial. Os estudos oficiais de impacto do TTIP prevêem benefícios em termos de aumento do PIB e dos rendimentos, ao mesmo tempo que são pouco claros sobre o emprego e sobre a distribuição dos rendimentos.

Infelizmente, estudos recentes mostram que a maioria dos trabalhos sobre o TTIP se baseiam em modelos económicos inadequados (do tipo CGE). Seguindo esta pista, num trabalho para a Universidade de Tufts, analisei o TTIP à luz de um modelo diferente – o modelo da United Nations Global Policy – e cheguei a resultados dramaticamente diferentes. Segue um sumário enviado à UE:

1 – O TTIP levará a perdas elevadas no campo das exportações no fim de uma década comparado com o cenário-base. As economias do norte sofrerão as maiores perdas (2,07%), seguidas da França (1,9%), Alemanha (1,14%) e Reino Unido (0,95%).

2 – O TTIP levará a perdas elevadas em termos do PIB, o que é consistente com a quebra nas exportações. As economias nórdicas sofrerão um impacto maior (- 0,5%), seguidas da França (-0,48%) e Alemanha (- 0,29%).

3 – O TTIP levará à destruição de emprego. Calculamos que aproximadamente 600.000 empregos desaparecerão na EU. De novo, os países nórdicos serão os mais afectados (- 223.000 emp.), seguidos pela Alemanha (- 134.000 emp.), França (- 130.000 emp.) e países do sul (- 90.000 emp.).

4 – O TTIP levará a uma queda nos rendimentos do trabalho. A França será a mais atingida com a perda de 5.500 Euros por trabalhador, seguida dos países nórdicos (- 4.800 E), Reino Unido (- 4.200 E) e Alemanha ( – 3.400 E).

5 – O TTIP originará uma queda na proporção dos rendimentos do trabalho, reforçando uma tendência que tem conduzido à actual estagnação. As projecções indicam um nítido aumento na parcela dos rendimentos rentistas com uma progressiva transferência dos rendimentos do trabalho para o capital. As maiores transferências ocorrerão no Reino Unido (7% do PIB), França (8%), Alemanha e norte da Europa (4%)..

6 – O TTIP levará a uma perda das receitas dos estados. A receita das taxas indirectas ou de valor-acrescentado sobre subsídios vai cair em todos os países, com a França a sofrer as maiores quebras (- 0,64% do PIB). Os deficits orçamentais vão portanto subir em todos os estados-membros, levando os seus limites para lá das metas de Maastricht.

7 – O TTIP levará a uma maior instabilidade financeira e a uma acumulação de desequilíbrios. Haverá queda das receitas de exportação, baixa de salários e das receitas dos governos. A procura terá de ser sustentada pelos lucros e pelo investimento. Com o enfraquecimento do consumo, não pode haver aumento de lucro através do aumento de vendas. Num cenário mais realista, os lucros e o investimento (sobretudo em activos financeiros) terão de ser sustentados pelo crescimento do preço dos activos. O potencial de instabilidade económica desta estratégia de crescimento é bastante bem conhecido através da recente crise económica.

Estes resultados apontam para uma conclusão geral: a procura pelo aumento de volume das transacções não é uma estratégia sustentável para a UE. No corrente contexto de austeridade, alto desemprego e crescimento anémico, se aumentarmos a pressão sobre os rendimentos do trabalho, apenas iremos prejudicar a actividade económica. Pelo contrário, qualquer estratégia viável para relançar o crescimento económico na Europa terá de assentar num grande esforço político que aumente os rendimentos do trabalho.

Jeronim Capaldo, Econometrics and Data Specialist

Social Protection Department, International Labour Organization

 

Andrey Storey, ATTAC- Ireland, 29/Out/2014……Tradução por José Oliveira