Desde Dezembro de 2017, a Comissão Europeia tem andado numa corrida contra o tempo para a aprovação de um acordo comercial entre a União Europeia e o Japão.

Oficialmente, o acordo é chamado de Parceria Económica UE-Japão, mas, na realidade,  está longe de se tratar de uma parceria genuína, já que a participação dos grupos de interesse nas negociações deste acordo, tanto no Japão como na UE, foi extremamente desigual, em detrimento da sociedade civil.

Quem teve acesso aos funcionários europeus

As negociações do acordo de comércio livre Japão-UE começaram em Março de 2013 e foram concluídas em Dezembro de 2017. Segundo as informações  fornecidas pela própria Comissão em resposta a solicitação do CEO, entre Janeiro de 2014 e Janeiro de 2017, o departamento de comércio da Comissão Europeia (DG Comércio) realizou um total de  213 reuniões à porta fechada com lobistas, para discutir as negociações.

Com quantas associações de pequenas e medias empresas

190 dessas reuniões (89%) foram realizadas com lobistas de empresas, enquanto apenas 9 (4%) decorreram com grupos de interesse público, como ONGs, sindicatos de agricultores e associações de consumidores. Nenhuma reunião foi realizada com representantes de sindicatos ou com federações de pequenas e médias empresas e nos restantes 7% dos casos, as reuniões foram com outros agentes como instituições públicas e “think tanks”.

JEFTA - A commissão recusa-se a informar

Quando o Corporate Europe Observatory (CEO) solicitou uma lista relativa às reuniões realizadas no ano de 2017, a DG Comércio recusou-se a fornecer esta informação, argumentando que o trabalho necessário para fornecer esta lista seria demasiado “oneroso” e que a Comissão está a dedicar todos os seus recursos à conclusão das negociações com o Japão.

Quais foram os lobbies mais activos

Os grandes grupos de lobby que tiveram, de longe, o maior número de encontros com a DG Comércio durante as negociações do acordo comercial entre o Japão e a UE (Janeiro de 2014 a Janeiro de 2017) são:

  • – BusinessEurope, a federação europeia de empregadores, um dos grupos de pressão mais poderosos da UE;
  • – European Services Forum, um grupo de lobby de grandes empresas de serviços;
  • – CEEV, o grupo de lobby que representa o setor vitivinícola europeu e internacional e representa mais de 7.000 empresas;
  • – ACEA, o lobby dos carros europeus e
  • – BDI, a Federação das Indústrias Alemãs, a voz mais poderosa das empresas alemãs em Bruxelas.

JEFTA - Que sectores tiveram mais reuniões

Estes números revelam a forte parcialidade dos acordos comerciais da UE: grandes empresas estão a conduzir as negociações, moldando as regras para o comércio global, enquanto maximizam os seus lucros. E quanto aos outros interessados? Tendo as suas vozes sido excluídas durante as negociações comerciais, tudo indica que os interesses dos consumidores, operários, ambientalistas e pequenas e médias empresas são de pouca importância para a Comissão Europeia.

A UE anuncia e congratula-se com a “Parceria Comercial UE-Japão”. Porém, tendo em conta os parceiros ouvidos e aos quais o acordo facilita o negócio, a única parceria genuína que o acordo estabelece é entre os negociadores da UE e as empresas multinacionais.

https://corporateeurope.org/international-trade/2018/05/jefta-exclusive-trade-between-eu-negotiators-and-big-business