A expansão do fracking é acompanhada pelo silêncio sobre o gás cancerígeno RADON, segundo um estudo recente.

 

Jon Queally, 9/04/2015, Common Dreams,.
Tradução e adaptação de José Oliveira

Investigadores do estado da Pensilvania descobriram que a prevalência
do RADON, um gás radio-activo e cancerígeno, nas casas e edifícios
comerciais vizinhas dos locais de perfuração, tem aumentado
dramaticamente desde o início da mineração há uma década atrás.
O RADON é um gás sem cheiro e sem sabor que se liberta naturalmente
dos minerais subterrâneos e foi encontrado em milhares de casas pelo
país. Contudo, num estudo publicado esta semana no jornal
Environmental Health Perspectives, os cientistas compararam os
resultados de testes em todo o estado sobre o RADON, tendo encontrado
níveis invulgarmente altos desse gás mortal em muitos edifícios,
sobretudo casas de habitação e espaços comerciais, associados aos
locais de mineração. A publicação State Impact Pennsilvania reporta:
“Os investigadores da Univ. John Hopkins analisaram os resultados das
leituras de RADON tiradas em 860.000 edifícios desde 1989 a 2013 e
descobriram que os situados em áreas rurais ou suburbanas (onde a
maioria dos poços do gás de xisto se localizam), tinham uma
concentração do gás radio-activo cancerígeno 39% mais alta que nas
áreas urbanas. Também descobriram que os edifícios que utilizam a água
de poços tinham uma concentração 21% mais alta que os que utilizavam a
rede pública. O estudo também mostra que os níveis de RADON têm
crescido significativamente, sobretudo a partir de 2004 quando começou
o boom do fracking neste estado. (….) Uma vez que o gás ocorre
muitas vezes em zonas sem ventilação, como caves ou outras, ele
acumula-se para níveis tais que aumentam muito o risco de cancros,
principalmente do pulmão.

O primeiro autor do estudo, Joan A. Casey (…)doutorada por
Bloomberg, afirma que não se sabe ao certo se o excesso de RADON nos
lares das pessoas se deve ao uso da água dos poços ligada `as
perfurações e depois libertado no ar, ou se o gás de xisto já contém
uma percentagem elevada de RADON superior à do gás natural, entrando
assim nas casas através das condutas de gás normais de fornecimento de
gás aos fogões. (…) No passado, a maior parte do RADON entrou nas
casas através de fendas nas fundações ou outras aberturas nos
edifícios.
“Ao abrir mais de 7000 furos no solo, a indústria do fracking pode ter
alterado a geologia da zona, criando novas vias pelas quais o RADON
sobe à superfície. Hoje existem muitas maneiras pelas quais o fracking
pode distribuir o RADON, diz Casey.
Brian Schwartz, professor do Departamento de Ciências Ambientais da
escola de  Bloomberg, declarou:” Um explicação plausível para os
elevados níveis de RADON nas casas das pessoas reside no
desenvolvimento de milhares de poços de gás na Pensilvania nos últimos
10 anos. estas descobertas preocupam-nos bastante”.
O estudo referido contrasta directamente com um outro de Janeiro vindo
do Departamento de Protecção Ambiental da Pensilvania que conclui
haver pouco potencial de exposição pública ao RADON , devido às
actividades generalizadas do fracking. Vários analistas confessaram
ser difícil comparar os dos estudos, visto utilizarem metodologias
muito diferentes.
Os funcionários da indústria apressaram-se a criticar a descoberta
feita pelo novo estudo. O Dr. Bernard Goldstein, ex-professor da Univ
de Pittsburg e ex-funcionário da Agência de Protecção Ambiental da
Pensilvania, declarou á NBC que a indústria não pode continuar a
ignorar estas descobertas preocupantes, associadas às suas práticas. A
indústria deve abandonar a desculpa de dizer que “já andamos a fazer
isto há 60 anos…porquê as preocupações?”
Goldstein afirmou que isso está errado. “As pessoas que vivem numa
casa há longo tempo não se apercebem do gás mortal”.
Com a expansão do fracking por todo o lado, cada vez mais pessoas
estarão expostas ao gás se viverem nas imediações dos furos.

 

Comentário do blogger WiseOwl:
Abandonei a minha carreira de investigador experimental quando cheguei
à conclusão de que existe amplo conhecimento sobre como prevenir a
poluição. As minhas pesquisas focaram principalmente como remediar os
locais afectados. A falta de vontade política em aplicar o que referi
fez-me ver a futilidade do processo. O Capitalismo vai devorar a Terra
e depois a si próprio. Os 1% não saberão como se alimentar depois de
terem devorado os outros 99%…