Através do JEFTA a União Europeia planeia desbloquear os portes e tarifas de importação de carros Japoneses em troca de Exportação de queijos da UE para o Japão. Mas maioria da população Japonesa é intolerante a lacticínios… É este o mote de um artigo na imprensa internacional ( https://www.facebook.com/events/1877173482343283/?notif_t=event_calendar_create&notif_id=1530198968158893 ) que a TROCA aqui traduz para português:

A União Europeia desvenda plano genial para vender mais queijo ao Japão… Mas existe um ligeiro problema

O plano ‘genial’ de BRUXELAS para impulsionar o comércio com o Japão através da venda de mais queijos europeus encontrou um obstáculo – uma eurodeputada afirmou que 90% ou mais da população japonesa é com, grande probabilidade, intolerante à lactose.

A UE tem pelejado pelo JEFTA, um acordo comercial histórico na sua dimensão, apelidado de “carros por queijo” em Bruxelas, o qual levaria ao desaparecimento das actuais taxas aduaneiras para os carros e respectivas peças do Japão e os produtos lácteos da UE. Mas enquanto Tóquio pode ver um incremento significativo das suas exportações para a Europa, não é claro que os planos da UE tenham sido adequadamente reflectidos.

A deputada britânica Molly Scott Cato, do partido dos Verdes, que é céptica a respeito dos benefícios do acordo JEFTA, desvendou números revelando que a intolerância à lactose na região do leste da Ásia é estimada em 90-100 por cento da população. Esta questionou que benefício o sector dos queijos poderá esperar seriamente ganhar com tal acordo, forçando os eurodeputados a admitir que no momento o queijo representa apenas 0,4% das exportações para o Japão. Em contraste, 13% das exportações japonesas para a Europa são automóveis*.

Apesar deste facto, os produtos lácteos – juntamente com a carne e o vinho – têm estado muito presentes no material promocional da UE sobre o acordo, em parte, para tentar torná-lo atractivo para os agricultores cépticos.

Acordos comerciais anteriores, como o pacto do CETA com o Canadá, depararam-se com a  oposição veemente de alguns políticos e grupos de activistas, tendo a região da Valónia bloqueando temporariamente o acordo devido a receios quanto ao seu impacto potencial sobre os produtores locais.

A UE está empenhada em evitar as mesmas polémicas desta vez e tem dito aos produtores de leite que o acordo protegerá célebres produtos europeus, como Roquefort e Gorgonzola, protegendo as certificações de origem no mercado nipónico. O Japão, que produz seu próprio camembert, actualmente cobra tarifas muito altas sobre produtos lácteos – entre 30% e 40% – o que significa que os produtos europeus importados são extremamente caros em comparação com as alternativas locais.

A página oficial da Comissão Europeia declara em tom celebratório que essa situação terminará, afirmando sobre o acordo pendente: “Os consumidores japoneses gostam de produtos europeus de alta qualidade, como vinhos, queijo, chocolate, carne de porco e massas.” Mas Scott Cato, eurodeputada do Sudoeste da Inglaterra, questionou se isso realmente teria relevância numa pergunta que apresentou à Comissão Europeia em Julho. A eurodeputada escreveu: “Queijo e carros têm destaque nas comunicações sobre a assinatura, juntamente com a remoção da maioria das taxas aduaneiras para permitir que ambas as partes tenham acesso a novas oportunidades e mercados. No entanto, como nos acordos comerciais anteriores, o diabo está nos detalhes, e o detalhe é oculto e minucioso, consequentemente, muito mais difícil. A Comissão tem conhecimento do elevado nível de intolerância à lactose (90-100 por cento) entre as pessoas da Ásia Oriental? ”

Ela acrescentou: “No contexto do Acordo de Paris (alterações climáticas), a Comissão considerou o impacto climático de encorajar a população japonesa de 127 milhões de pessoas a avançar para uma dieta que contenha mais produtos lácteos?”

“O acordo entre a UE e o Japão não contém qualquer incentivo em especial para aumentar o consumo geral de produtos lácteos”

Comissária do Comércio da UE, Cecilia Malmstrom

Na sua resposta, a comissária de comércio da UE, Cecilia Malmstrom, disse estar “ciente de que as taxas de intolerância à lactose variam entre as populações e que os produtores de lácteos desenvolveram produtos e estratégias para tratar dessa questão”. E acrescentou: “De qualquer das formas, o Acordo de Parceria Económica entre a UE e o Japão não contém nenhum incentivo em especial para aumentar o consumo geral de produtos lácteos.”

O JEFTA tem sido encarado como o padrão de referência para um futuro acordo de comércio entre o Reino Unido e o Japão, tendo Theresa May garantido, numa visita recente ao Japão, que tal acordo poderá entrar em efeito a partir de Março de 2019.

 

Podemos concluir que este tratado pode ser promissor para a indústria japonesa que verá desaparecer as taxas aduaneiras sobre os seus automóveis – que alguns consideram os melhores do mundo – e assim garantir um acesso muito mais fácil ao mercado automóvel Europeu. Os benefícios para a indústria europeia são menos claros.

O mercado automóvel e de peças europeu enfrentará uma fortíssima ameaça, sendo que muitos dos actuais produtores de peças para os automóveis japoneses na Europa irão, com grande probabilidade, ser forçados a fechar portas ou provocar um elevado número de despedimentos.

Muitos perguntam que benefício têm os países europeus ao trocar ‘queijos’ por carros.

Embora não seja esta questão a motivar a oposição da TROCA a este acordo, a plataforma considera que ela é relevante o suficiente para motivar um amplo debate em torno das consequências do JEFTA.

 

*Contabilizando também as peças de automóveis o valor ascende a 30% das exportações.